← AI Portal

Mercado · 29 de setembro de 2026 · 20 min

Black Friday 2026: a IA já vende, o cliente brasileiro já usa e o lojista ainda não chegou

Em 2025 a IA influenciou US$ 14,2 bi em vendas num único dia. No Brasil, 53% dos consumidores já compram com IA, mas só 15% dos lojistas estão prontos. Juntamos os dados de Neotrust, Adobe, Salesforce, Sebrae e Visa para mostrar o que muda na Black Friday de 2026.

Por João Augusto Campos · Founder da OneClient

Sacola preta com etiqueta Black Friday sobre fundo lilás com confete

Foto: https://kaboompics.com/ · Pexels License

A Black Friday de 2026 cai na sexta, 27 de novembro. A quinta (26/11) já é dia de venda forte, e a Cyber Monday vem na segunda, 30/11. Faltam 59 dias.

Juntamos os números oficiais de 2025 do Brasil e do mundo: Confi Neotrust, Adobe Analytics, Salesforce, Cielo, Reclame AQUI, Sebrae, Visa e outras fontes. Tudo foi cruzado com o que já se sabe sobre inteligência artificial no varejo e com as previsões publicadas para 2026. Cada número vem com a fonte. Quando é previsão ou conta nossa, está escrito.

A tese em um parágrafo

Em 2025 a IA já vendia na Black Friday: influenciou US$ 14,2 bilhões só na sexta, no mundo, e US$ 67 bilhões na Cyber Week, passando por 20% dos pedidos (Salesforce). No Brasil, o consumidor chegou lá antes do lojista. 53% dos brasileiros usaram IA na última compra online, mais que nos EUA (46%). Do lado do lojista, só 30% dos pequenos negócios têm chatbot de vendas e só 15% dos lojistas se dizem prontos para vender via agentes de IA. A Black Friday brasileira cresce em volume (pedidos +28%) com ticket caindo (-12,8%), e a venda acontece no WhatsApp. O gargalo do dono é atender muita gente rápido, barato e de madrugada, e é exatamente isso que um agente de IA faz.

A IA já vendeu na Black Friday 2025: US$ 14,2 bi na sexta, US$ 67 bi na Cyber Week, 20% dos pedidos

Os 12 números que importam

#NúmeroO que éFonte
1R$ 4,76 bie-commerce Brasil na sexta 28/11/2025, +11,2%Confi Neotrust
2R$ 10,19 biBrasil de quinta a domingo, recorde histórico (+7,8%)Confi Neotrust
38,69 mipedidos na sexta (+28%), com ticket de R$ 553,60 (-12,8%)Confi Neotrust
4R$ 39,2 biBrasil de 1 a 27/nov/2025, +36,2%Confi Neotrust
5US$ 79 bivendas online no mundo na sexta, +6%Salesforce
6US$ 11,8 biEUA online na sexta, +9,1%Adobe
7US$ 14,2 bivendas influenciadas por IA e agentes na sexta, no mundoSalesforce
8+805%tráfego vindo de IA para lojas nos EUA na sexta; quem chega pela IA converte 38% maisAdobe
953%brasileiros que usaram IA na última compra online (EUA: 46%)Visa/PYMNTS 2026
1015%lojistas brasileiros preparados para vender via agentes de IAVisa/PYMNTS 2026
1163% vs 11%taxa de abertura do WhatsApp vs e-mail no varejoFlowbiz
12+130%previsão de crescimento do tráfego vindo de IA na temporada 2026 dos EUA; busca paga: +4%Adobe (previsão)

Como ler estes números

Três recortes aparecem ao longo do texto, e misturá-los é o erro mais comum nas matérias sobre Black Friday.

  • Dia: só a sexta, de 0h a 23h59. É o número de manchete, e é o recorte da Neotrust (Brasil) e da Adobe (EUA).
  • Período: uma janela de dias, como quinta a domingo. Cada fonte define a sua, por isso período de uma fonte nunca se compara com dia de outra.
  • Temporada: novembro e dezembro (Adobe, EUA) ou a Cyber Week (Salesforce, mundo).

Moedas não foram convertidas. O câmbio distorce a comparação, e as próprias fontes não convertem.

Algumas divergências que circulam por aí:

Número circulandoO que é de verdade
"EUA +9,26%"A Adobe publicou +9,1%.
"EUA US$ 18 bi na sexta" vs "US$ 11,8 bi"São metodologias diferentes: a Salesforce inclui mercado e itens do dia a dia. Os dois números estão certos, mas não se misturam.
"87,3 milhões compraram online na BF 2025"É dado da NRF de 2024, reaproveitado.
"BTG: online +18%, R$ 7 bi"Recorte e base próprios do banco. Não se soma nem se compara direto com a Neotrust.

Mundo 2025: a sexta cresce mais que a segunda

O mundo vendeu US$ 79 bilhões online na sexta (+6%) e US$ 336,6 bilhões na Cyber Week (+7%), segundo a Salesforce. Nos EUA, a Adobe mediu US$ 11,8 bilhões na sexta (+9,1%) e US$ 14,25 bilhões na Cyber Monday (+7,1%), que segue como o maior dia do ano por lá. A temporada de novembro e dezembro fechou em US$ 257,8 bilhões (+6,8%). Em 25 dias o americano gastou mais de US$ 4 bilhões por dia; em 2024 tinham sido 18 dias.

EUA: vendas online na sexta da Black Friday, de US$ 5 bi em 2017 a US$ 11,8 bi em 2025

A sexta subiu 9,1% e a Cyber Monday 7,1%. O consumidor está comprando mais cedo, o mesmo movimento que aparece no Brasil.

Contra um dia normal, brinquedos vendem +412% na Black Friday e moda +374% (Criteo, 2024). Os maiores descontos de 2025 nos EUA foram em eletrônicos (até 30,9%), brinquedos (29,6%) e moda (25,1%), segundo a Adobe.

Aumento de vendas na Black Friday contra um dia normal, por categoria
Pico de desconto por categoria nos EUA, temporada 2025

Nos EUA o smartphone ficou com 56,4% das vendas online da temporada (54,5% em 2024). O BNPL, o "compre agora, pague depois" que funciona como o parcelado americano, movimentou US$ 20 bilhões (+9,8%), 82% dele no celular.

Participação do celular nas vendas online: EUA na temporada e Brasil na Black Friday

Brasil 2025: a melhor sexta desde a pandemia

O e-commerce brasileiro faturou R$ 4,76 bilhões em 28/11/2025 (+11,2%, meio bilhão a mais que em 2024). Só 2021, no pico da covid, foi maior (R$ 5,13 bilhões). De quinta a domingo foram R$ 10,19 bilhões, recorde absoluto, acima dos R$ 9,91 bilhões de 2021. Nesses quatro dias saíram 21,5 milhões de pedidos (+16,5%) e 56,9 milhões de itens.

Brasil: faturamento do e-commerce na sexta da Black Friday, 2020 a 2025

A Black Friday brasileira começa na quinta

A quinta, 27/11, cresceu +34,1% em faturamento e +63,2% em pedidos. Sábado (-10,7%) e domingo (-7,9%) caíram. O domingo teve o maior ticket do fim de semana, R$ 424,40 (+18%): é o dia da compra pensada, de item mais caro.

Faturamento do e-commerce por dia na Black Friday 2025, de quinta a domingo

De 1 a 27 de novembro o e-commerce faturou R$ 39,2 bilhões (+36,2%), com 124,9 milhões de pedidos (+48,8%) e ticket de R$ 313 (-8,5%). A data virou "Black November". Quem só liga a campanha na sexta disputa a sobra do mês.

Mais pedidos, ticket menor

Na sexta, os pedidos subiram 28% e o ticket caiu 12,8%, de R$ 634,40 para R$ 553,60. Durante a semana o ticket estava em R$ 325 (segunda, 24/11) e saltou para R$ 554 na sexta: o consumidor esperou o dia para o item de desejo. O BTG viu o mesmo em outra base. Calçados passaram smartphones pela primeira vez, e TVs e a "renovação da casa" (geladeira, lavadora, ar-condicionado) puxaram o valor na sexta e no sábado.

Sexta da Black Friday no Brasil: pedidos +28%, ticket médio -12,8%

O e-commerce puxou o varejo. No índice da Cielo, o online cresceu +16,1% nominal na sexta, o varejo total +1,9% e as lojas físicas caíram 1,9%. A Fiserv contou 495 milhões de transações aprovadas de 21 a 28/11 (+26%).

O PIX encostou no cartão

Em bases de plataformas diferentes, o que limita a comparação, o PIX foi de 28,7% das compras da Black Friday em 2024 (Digital Manager Guru) para 41,96% em 2025 (Yampi). O cartão caiu de 67,7% para 56,58%. No celular, a base da Digital Manager Guru registrou 85,5% das compras em 2024.

Meio de pagamento nas compras online da Black Friday: PIX de 29% para 42%

As categorias que mais venderam em volume, na base Yampi, foram moda e acessórios, saúde e beleza, e casa e jardim. No BTG, farmácia subiu para o 3º lugar, puxada pelos medicamentos GLP-1 (35,1% da receita da categoria).

Entregador carregando caixas numa van

Onde deu errado

O Reclame AQUI chamou 2025 de "Black Friday da aposta no certo". Foram 14 mil reclamações até o fim da sexta, empate com o recorde de 2024, e 21,6 mil até a manhã de segunda. 42% dos consumidores viram oferta que parecia golpe feito com IA, e quase 50 mil sites receberam alerta de suspeita em novembro. Com medo, o consumidor se concentrou nas grandes: Amazon, Mercado Livre, Americanas, Magalu e Casas Bahia lideram as reclamações porque lideram as vendas.

Principais motivos de reclamação no Reclame AQUI na Black Friday 2025

No fim de semana, "propaganda enganosa" subiu para o 2º lugar (12,03%), com cupom que não funcionou e cashback que não caiu. Também houve muita queixa de estorno de PIX retido.

O que isso significa para quem vende

  1. Volume com ticket menor faz o custo de atender cada pedido decidir a margem. O jogo é responder três vezes mais gente com a mesma equipe.
  2. Confiança é o ativo. Com medo de golpe, o cliente foge para o marketplace grande. O pequeno ganha quando o cliente já o conhece: WhatsApp próprio, histórico, prova social e um agente de IA que se apresenta como assistente da loja, sem fingir ser gente.
  3. Logística é onde a reclamação nasce. Atraso (23,25%) e produto não recebido (12,68%) somam mais de um terço das queixas. Rastreio proativo no WhatsApp evita a reclamação antes de ela existir.
  4. PIX pede política de estorno clara e rápida, escrita na própria oferta.

Brasil vs mundo

Ilustração fora de escala: mundo US$ 79 bi, EUA US$ 11,8 bi, Brasil R$ 4,76 bi na sexta da Black Friday 2025

Na sexta de 2025, o Brasil cresceu +11,2%, contra +9,1% nos EUA e +6% no mundo.

Crescimento da sexta da Black Friday 2025: Brasil, EUA e mundo

Cinco diferenças explicam o jeito brasileiro:

BrasilEUA e mundo
Maior diaa sexta (e a quinta cresce mais rápido)a Cyber Monday, nos EUA
Pagamentocartão parcelado e PIX (~42% em base de plataforma)cartão e BNPL (US$ 20 bi na temporada)
Canal de conversaWhatsApp, com abertura de 63% contra 11% do e-maile-mail, SMS e chat do site
Busca de produtoGoogle caiu de 79% para 63% em dois anos; ChatGPT subiu de 2% para 32%tráfego de IA +805% na sexta
Medo42% viram golpe feito com IA e foram para as grandesdesconfiança menor

O consumidor brasileiro usa mais IA para comprar que o americano (53% contra 46%). Só que o varejo brasileiro não tem ninguém medindo o tráfego que vem de IA, como a Adobe faz nos EUA. Estamos às cegas num canal que já é maior que lá.

A virada da IA

Onde a IA entra na venda: descoberta, atendimento, carrinho, pagamento e pós-venda

O que a IA já fez em 2025

  • US$ 14,2 bilhões influenciados por IA e agentes na sexta, no mundo. Foram US$ 3 bilhões nos EUA e US$ 7,5 bilhões já no Dia de Ação de Graças (Salesforce).
  • US$ 67 bilhões na Cyber Week, passando por 20% dos pedidos do mundo, via recomendação personalizada e atendimento conversacional (Salesforce).
  • O tráfego vindo de IA para lojas nos EUA subiu +805% na sexta e +693% na temporada (Adobe).
  • Quem chega pela IA converte 38% mais que o tráfego de outras fontes (Adobe).
  • Varejistas com agente próprio cresceram 32% mais rápido na Cyber Week. Na temporada, quem tinha agente de compra da marca cresceu 59% mais (Salesforce).
  • As conversas com agentes de IA subiram 42% da quinta para a sexta. As ações feitas pelos agentes, como trocar endereço de entrega ou abrir devolução, subiram 38% (Salesforce).

No Brasil, o cliente chegou e o lojista não

IA no Brasil: o consumidor já usa, o lojista ainda não está pronto

Do lado do consumidor:

  • 53% usaram IA na última compra online, índice que só os Emirados Árabes (72%) superam (Visa/PYMNTS, set/2026).
  • Para pesquisar produto, o ChatGPT foi de 2% em 2024 para 32% em 2026, e o Google caiu de 79% para 63%. O Gemini aparece com 22% e o Mercado Livre com 23%.
  • 88% de quem usa IA para comprar compartilharia dados de pagamento com um agente, e 70% esperam usar agentes para comprar nos próximos dois anos.
  • Só 1,3%, porém, começa a busca na IA (Nuvemshop e Opinion Box). A IA entra no meio da jornada: 48% a usam para comparar produtos, 47% para tirar dúvida técnica, 36% para pedir sugestão e 32% para achar oferta.

Do lado do lojista:

  • 46% das micro e pequenas empresas usam IA (Sebrae e FGV, mar/2026), mas o uso é de marketing (59%). Na comunicação com o cliente são 39%, e em análise de dados, 30%.
  • 41% dizem usar robô no WhatsApp e 30%, chatbot de vendas (Sebrae 2025, pergunta estimulada).
  • 74% dos lojistas esperam que agentes de IA respondam por pelo menos 5% das vendas digitais em dois anos, mas só 15% se dizem preparados (Visa/PYMNTS).

O WhatsApp é a loja brasileira

WhatsApp contra e-mail no varejo: abertura, clique e recuperação de carrinho

No varejo, o WhatsApp tem abertura de 63,1% (e-mail: 10,9%), clique de 20,3% (e-mail: 4,8%) e recupera 7,9% dos carrinhos abandonados (e-mail: 2,8%), segundo o Flowbiz. Dados de fornecedor, que tratamos como menos confiáveis, apontam na mesma direção. Segundo a OmniChat, operações com agente de IA na Black Friday 2025 tiveram +689% de conversas resolvidas sem humano, +34% de vendas influenciadas e -54% no tempo de espera. O agente converteu 9% no atendimento receptivo, igual ao humano, a menos de R$ 1 por conversa.

Lojista atendendo cliente pelo celular na própria loja

Exercício: quanto a IA "tocaria" na sexta brasileira?

Isto é conta nossa, não dado. Na Salesforce, IA e agentes influenciaram US$ 14,2 bilhões de US$ 79 bilhões na sexta, cerca de 18%, com a mesma fonte nos dois lados da conta. Se o Brasil tivesse a mesma proporção:

  • Em 2025, 18% de R$ 4,76 bilhões seriam cerca de R$ 0,86 bilhão da sexta influenciados por IA.
  • Em 2026, no cenário base de R$ 5,19 bilhões, seriam cerca de R$ 0,93 bilhão.

Na definição da Salesforce, "influenciado" inclui recomendação personalizada e atendimento por conversa, não só compra feita dentro do ChatGPT. Como o brasileiro usa mais IA que o americano, 18% pode até ser conservador. O que falta é o lojista estar do outro lado da conversa.

Antes e depois: o dono sozinho com as mensagens às 2h da manhã, e o agente respondendo enquanto ele dorme

Previsões para 2026

Previsão2025 real2026 previstoVariaçãoFonte
EUA, sexta onlineUS$ 11,8 biUS$ 12,9 bi+9,2%Adobe (28/09/2026)
EUA, Cyber MondayUS$ 14,25 biUS$ 15,1 bi+6,2%Adobe (28/09/2026)
EUA, Cyber WeekUS$ 44,2 biUS$ 47,5 bi+7,4%Adobe (28/09/2026)
EUA, temporada nov–dezUS$ 257,8 biUS$ 275,1 bi+6,7%Adobe (28/09/2026)
EUA, mobile na temporada56,4%57,4%+1 p.p.Adobe (28/09/2026)
Brasil, semana da BFbase própriaR$ 14,5 bi+8,4%Stefanini (18/09/2026)
Brasil, pedidos na semanabase própria18,3 mi+10,8%Stefanini (18/09/2026)
Brasil, ticket na semanaR$ 808,50R$ 791-2,2%Stefanini (18/09/2026)
Brasil, e-commerce no anoR$ 235,5 biacima de R$ 258 bi~+15%ABComm / Abiacom

Até agora, nem a Neotrust nem a ABComm publicaram previsão para o dia da Black Friday de 2026. Esses números costumam sair em outubro.

O canal que mais cresce é a IA

Previsão de crescimento do tráfego para lojas online nos EUA em 2026: IA +130%, redes sociais +17%, busca paga +4%

A Adobe prevê tráfego vindo de IA +130% na temporada 2026 dos EUA: +159% no Dia de Ação de Graças, +95% na sexta e +88% na Cyber Monday. Redes sociais devem crescer 17%, e a busca paga, só 4%. A Salesforce prevê que 20% de todo o tráfego do e-commerce na temporada virá de agentes de IA, e que 1 em cada 3 sites terá agente de compra próprio até a Cyber Week. Segundo ela, metade dos compradores já usa assistente de IA em algum momento da jornada, e 74% confiam na recomendação que recebem.

Três cenários para a sexta brasileira

Cenários para o faturamento do e-commerce brasileiro na sexta da Black Friday 2026
CenárioVariação sobre 2025Sexta, 27/11/2026Premissa
Conservador+5%R$ 5,00 bijuros altos e ticket caindo; a série 2022–2025 oscila bastante
Base+9%R$ 5,19 bientre a Stefanini (+8,4% na semana) e a Adobe nos EUA (+9,2% na sexta)
Otimista+13%R$ 5,38 birepete 2025 (+11,2%), com a IA ajudando na conversão

Os cenários são exercício nosso, não previsão publicada. Para calibrar: em 2025 a Adobe previu US$ 11,7 bilhões para a sexta e deu US$ 11,8 bilhões, e para a Cyber Monday previu US$ 14,2 bilhões e deu US$ 14,25 bilhões. A Salesforce previu US$ 334 bilhões para a Cyber Week e deu US$ 336,6 bilhões. As previsões dos grandes medidores americanos erraram menos de 1%, sempre para baixo. No Brasil não há histórico comparável de previsão no mesmo recorte.

Em 2026, o cliente deve chegar mais pela IA e menos pelo anúncio. Isso tem duas consequências práticas. A primeira é que a informação da loja precisa ser fácil de responder: preço, frete, prazo, troca e estoque escritos com clareza, para que uma IA consiga recomendar você. A segunda é que, quando o cliente chegar, alguém precisa responder na hora, inclusive às 2h da manhã.

Um plano de 8 semanas até 27/11

Linha do tempo de 8 semanas até a Black Friday de 27/11/2026
SemanaFocoO que fazerO dado por trás
1 · 28/setOferta e margemUma oferta-âncora com o desconto que cabe na margem e um kit para puxar o ticket.O ticket caiu 12,8% na sexta de 2025, e a previsão para 2026 é de nova queda.
2 · 05/outBase de contatosLimpar e segmentar a lista de WhatsApp e e-mail, pedir opt-in e marcar quem comprou na BF passada.Em base de plataforma, 80% dos compradores da semana da BF eram clientes novos.
3 · 12/outAgente no WhatsAppTreinar o agente com as perguntas reais: preço, frete, prazo, troca, PIX e estorno. Definir quando ele passa para um humano.Abertura de 63% no WhatsApp; o agente converte igual ao humano (dado de fornecedor).
4 · 19/outTeste com clientesRodar o agente com clientes reais e medir tempo de resposta, passagem para humano e perguntas sem resposta.Na BF, operações com IA cortaram o tempo de espera pela metade (dado de fornecedor).
5 · 26/outLista VIP e comparativosAbrir a lista VIP e publicar comparativos do tipo "X ou Y?", o ponto da jornada em que a IA entra.48% dos brasileiros usam IA para comparar produtos; só 1,3% começam a busca nela.
6 · 02/novEsquentaComeçar com ofertas de recorrência e itens de entrada.De 1 a 27/nov/2025, o faturamento cresceu 36,2% e os pedidos, 48,8%.
7 · 09/novEstoque e entregaFechar prazo com a transportadora e deixar pronta a mensagem automática de rastreio.Atraso e não entrega somam 36% das reclamações.
8 · 16/novPré-venda VIPLiberar a oferta para a lista VIP antes do público geral.A quinta cresceu 34% em faturamento e 63% em pedidos em 2025.
Black Week · 23 a 30/novExecuçãoQuinta e sexta são volume. Domingo, item de maior valor (ticket +18% em 2025). Segunda, 30/11, é Cyber Monday.Quinta e sexta somaram R$ 7,04 bi dos R$ 10,19 bi de quinta a domingo.
Depois · até 10/dezRecompraRégua de recompra para quem comprou pela primeira vez e pedido de avaliação, que vira prova social para 2027.O comprador da BF é novo; sem régua, ele não volta.
Dona de pequeno negócio trabalhando no notebook entre caixas de pedidos

Limites deste levantamento

  • Não existe, no Brasil, medição pública do tráfego que vem de IA para as lojas, como a Adobe faz nos EUA.
  • Os dados brasileiros de pagamento e celular vêm de bases de plataformas, não do mercado inteiro.
  • Não encontramos desconto médio por categoria no Brasil com fonte primária. Por isso usamos a Adobe (EUA) e a Criteo como referência.
  • Os cenários para 2026 e o exercício da IA são contas nossas, com as premissas escritas ao lado.
  • Dados de fornecedor (OmniChat) e de uma plataforma só (Yampi, Digital Manager Guru) estão sinalizados no texto.
CompartilharWhatsAppXLinkedIn