Sabe o que aconteceu? Fui dar uma olhada nos achados do estudo da Ora em parceria com a Vercel, e a real é brutal. Eles colocaram agentes de IA para fazer coisas simples na web — tipo se cadastrar num produto, integrar e pagar por ele. O resultado? Um desastre. A maioria falhou miseravelmente.
E aqui está o pulo do gato: Ora, em sua estimativa, 99% da web está despreparada para isso. Pense bem: noventa e nove por cento. Isso não é só um número, é um grito de guerra para quem constrói o digital. Não estamos falando de um futuro distante; estamos falando da nossa infraestrutura hoje, que simplesmente não aguenta o que está por vir.
Eu não acredito em IA, eu cobro resultado. E se a infraestrutura não entrega clareza e execução para um agente, ela não está entregando resultado para ninguém. O vilão aqui é a nossa velha forma de pensar a web, focada quase que exclusivamente na interação humana direta, sem considerar que nossos “usuários” podem, em breve, ser pedaços de código autônomos e muito espertos.
O custo real dessa ingenuidade? Ineficiência colossal, oportunidades perdidas e uma montanha de retrabalho na frente. Estamos construindo um Frankenstein digital onde as ferramentas existem, mas o fluxo não. E o valor, para mim, é sempre instalável — rotina, playbook, padrão, memória institucional. Se seu site não é uma rotina para um agente de IA, ele é só barulho.
Por que a web falha e o que é “agent-friendly”
Qual é o problema, afinal? Agentes de IA, como qualquer software, precisam de clareza. Eles precisam entender o contexto, os campos de formulário, os botões, a ordem das coisas. Se seu site tem um HTML bagunçado, elementos sem semântica ou interações ambíguas, um agente se perde tão rápido quanto um humano tentando montar um móvel sem manual.
Agentes falham porque a web foi projetada para humanos interpretarem o que veem, e não para máquinas processarem informações de forma estruturada. CAPTCHAs, designs overly-dinâmicos que mudam a cada refresh, ou fluxos de usuário não lineares são um pesadelo para eles. E o que era “segurança” ou “criatividade” vira um muro impenetrável para a automação inteligente.
A virada de chave é pensar em IA como infraestrutura de execução. Não é sobre ter um botão mágico de IA, é sobre ter uma fundação tão sólida e previsível que um agente possa operar nela sem tropeçar. É sobre criar sites “agent-friendly”, ou seja, com dados estruturados, APIs claras e interações que um robô consegue seguir, mesmo que ele não tenha olhos para ler o seu banner chamativo.
Vercel e o futuro dos usuários de primeira classe
A Vercel, aliás, está de olho nisso. Como coloca a própria Vercel, eles estão apostando num futuro onde agentes de IA não são apenas ferramentas, mas 'usuários de primeira classe' da web. Essa visão muda tudo. Se os agentes são usuários, eles precisam de uma experiência de usuário impecável, otimizada para sua natureza programática.
Isso significa que o mesmo rigor que aplicamos na experiência do usuário para humanos — acessibilidade, velocidade, clareza visual — agora se estende à “experiência do agente”. Estamos falando de semântica web apurada, microdados, APIs bem documentadas e, acima de tudo, previsibilidade. Um bom processo não é burocracia, é liberdade repetível. E essa liberdade tem que valer para os agentes também.
O que fazer agora para construir para o futuro
Alguém pode dizer: "Mas João, isso é exagero, os agentes ainda estão engatinhando. Não é hora de se preocupar tanto assim." E eu concordo que eles não estão perfeitos, que a tecnologia ainda está evoluindo. Mas o ponto não é a perfeição atual, e sim a direção para onde estamos indo. E essa direção é irreversível. Esperar para agir é acumular dívida técnica e perder a corrida.
O que podemos fazer então? Comece com o básico que você deveria estar fazendo de qualquer forma: foque em semântica. Use as tags HTML corretamente. Estruture seus dados com schema.org ou padrões semelhantes. Pense em cada interação como um passo num playbook que um agente precisa seguir. Se seu site fosse um manual de instruções, ele estaria escrito em hebraico para quem não sabe ler hebraico, ou em português claro para qualquer um?
Invista em testes automatizados que simulem a jornada de um agente. Seus formulários são robustos? Os botões têm nomes claros? As mensagens de erro são úteis, até para um código? É sobre construir uma infraestrutura de clareza, onde cada elemento tem um propósito bem definido e um comportamento previsível. O futuro não pertence a quem sabe mais sobre IA, mas a quem transforma IA em rotina, rotina em resultado e resultado em liberdade.
Estamos à beira de uma revolução onde a infraestrutura que construímos precisa ser tão inteligente quanto as IAs que queremos que a usem. Não é uma questão de adicionar IA como uma feature, mas de reconstruir a base para que a IA possa se tornar a infraestrutura de execução que ela realmente é. É hora de parar de construir para o passado e começar a projetar para os usuários de amanhã, sejam eles humanos ou máquinas.
